Após 11 dias de julgamento a portas fechadas — o mais longo registrado no Rio de Janeiro desde 2008 —, a juíza Elizabeth Machado Louro leu a sentença que condenou o ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte do enteado, Henry Borel, de quatro anos, em março de 2021. Além da pena de reclusão, que já está sendo cumprida no presídio de Bangu, o réu terá de pagar uma multa de R$ 400 mil por danos morais a Leniel Borel, pai do menino.
Por outro lado, o conselho de sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, desclassificou a acusação contra a mãe da criança, a professora Monique Medeiros, de homicídio doloso para culposo. Diante da decisão dos jurados e com base no Código Penal, a magistrada concedeu o perdão judicial a Monique, criticando o que chamou de reação social desproporcional e discriminatória de gênero. Embora tenha sido condenada a 1 ano e 4 meses de detenção por omissão diante da tortura sofrida pelo filho, a pena já foi considerada cumprida, permitindo que ela deixasse a prisão na tarde desta quinta-feira.
O desfecho do caso, que gerou forte comoção nacional após laudos do IML apontarem múltiplas lesões incompatíveis com a versão de queda de cama sustentada pelo casal, dividiu as partes envolvidas no processo. A defesa de Jairinho declarou que vai recorrer da decisão buscando a anulação do júri, enquanto os advogados de Monique manifestaram satisfação com o veredito. Em contrapartida, o Ministério Público alegou a ocorrência de um erro durante a votação dos quesitos e confirmou que contestará a sentença da mãe, e Leniel Borel lamentou publicamente o perdão concedido à ex-esposa.
Fonte: G1


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