A Polícia Civil de Sorocaba identificou, por meio de um laudo grafotécnico, a estudante suspeita de realizar pichações racistas no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em agosto de 2024. A perícia comparou a escrita da aluna com as ofensas direcionadas a vítimas específicas, como "preta suja" e "imunda", encontrando convergências gráficas determinantes após a suspeita ser submetida a testes de caligrafia. Com a comprovação da autoria, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) oficializou a denúncia à Justiça, destacando o intuito deliberado da acusada de humilhar e menosprezar as colegas com base em raça e cor.
O promotor Gustavo dos Reis Gazzola, responsável pelo caso, pleiteia uma indenização de R$ 2 mil por danos morais para cada uma das estudantes atingidas, justificando o valor pelo expressivo abalo emocional causado pela incitação ao ódio. O episódio gerou forte indignação na comunidade acadêmica, especialmente após relatos das vítimas sobre a recepção hostil por parte de seguranças e uma suposta falta de interesse inicial da diretoria da universidade na apuração dos fatos. As alunas denunciam ainda que as câmeras de segurança estavam em manutenção no período do crime, o que dificultou os primeiros passos da investigação interna.
A estudante denunciada tem até a próxima sexta-feira (8) para apresentar sua defesa formal à Justiça. Estudantes da UFSCar afirmam que o caso não é isolado e expõe um histórico de racismo persistente na instituição, incluindo episódios de injúria em jogos universitários e outras pichações recorrentes que intimidam o corpo discente negro. Enquanto o processo avança na esfera criminal, o movimento estudantil cobra da reitoria medidas mais rigorosas de acolhimento e segurança, visando combater a impunidade e garantir um ambiente acadêmico livre de discriminação.
Fonte: G1

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