Erro no IML leva famílias a sepultarem corpos errados: 'Velei achando que era meu filho'


O Ministério Público de Santa Catarina instaurou um procedimento nesta sexta-feira (8) para apurar uma grave falha operacional do Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis, que resultou na troca de três corpos. O erro fez com que duas famílias velassem e sepultassem pessoas erradas, enquanto uma terceira vítima permaneceu retida na instituição sem o conhecimento dos parentes. A confusão envolveu os corpos de Juliano Henrique Guadagnin, morto em um acidente de trânsito, e de outros dois homens, Patrick Nunes Ferreira e Denner Dario Colodina, vítimas de homicídio. O equívoco só foi descoberto após o sepultamento de dois deles, quando um familiar compareceu ao IML para uma identificação tardia.

O relatório interno do IML atribui a falha ao agente funerário, alegando que o profissional teria removido os corpos trocados enquanto a sala de necropsia era higienizada. Por outro lado, a empresa funerária contesta a versão, afirmando que a responsabilidade legal pela liberação e identificação correta das vítimas é exclusiva dos servidores públicos da Polícia Científica. Em um desdobramento ainda mais grave, a agente funerária Aline Mikna denunciou que servidores do órgão teriam sugerido ocultar o erro das famílias para evitar o escândalo, proposta que foi prontamente negada pela Polícia Científica em nota oficial.

Diante da indignação das famílias, que descreveram a situação como um "choque terrível" e um desrespeito ao luto, os corpos enterrados indevidamente precisaram ser exumados e submetidos a novos exames periciais antes dos sepultamentos definitivos, realizados no dia 13. A Polícia Científica admitiu o erro operacional, pediu desculpas públicas e informou que a Corregedoria já investiga as responsabilidades disciplinares. O caso motivou uma revisão imediata nos protocolos de custódia e liberação de cadáveres no estado para garantir que novas falhas de identificação não voltem a ocorrer.

Fonte: G1

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