Médico do governo de SP diz ser ‘fundamental’ aumentar testagem gratuita para Covid-19 fora das unidades de saúde - A Voz da Região

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Médico do governo de SP diz ser ‘fundamental’ aumentar testagem gratuita para Covid-19 fora das unidades de saúde






 




O médico João Gabbardo, coordenador do Comitê Científico do estado de São Paulo, criticou a falta de alternativas públicas para a testagem da população em meio à alta de internações por Covid-19. A declaração foi dada em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (5).


Para Gabbardo, o acúmulo de pacientes nas unidades de saúde, verificado nas últimas semanas principalmente na capital paulista, ocorre também porque os postos são "a única maneira de fazer o teste".


O conselheiro do governo estadual disse ser "fundamental" promover o aumento da testagem em "locais diferenciados e de mais fácil acesso para a população".


"Em relação a esse acúmulo de pacientes nas unidades sanitárias, muita gente vai aos postos de saúde porque é a única maneira de fazer o teste. Nós temos que achar uma solução para evitar que as pessoas tenham que ir nos postos de saúde para serem testadas, porque nós concentramos as pessoas nas unidades e ainda por cima aumentamos a possibilidade da transmissão entre os pacientes", disse Gabbardo.


"O aumento da testagem em locais diferenciados e de mais fácil acesso à população é fundamental para que nós não tenhamos esse acúmulo nas unidades de saúde", completou.

Fila por testes e atendimento médico

Na cidade de São Paulo, o aumento na procura por unidades de saúde foi confirmado nesta quarta-feira (5) pelo secretário municipal Edson Aparecido.


Segundo ele, a rede municipal atende 40 mil casos diários de pacientes com sintomas gripais nos postos de saúde.


“Nós estamos num momento de casos acentuados de síndrome gripal na cidade. São 20 mil atendimentos diários na UPAS e 20 mil nas UBSs", disse Aparecido.


Diversas farmácias da cidade estão sem testes de Covid-19. A equipe da TV Globo foi a farmácias na Zona Sul para verificar se existem horários para fazer o exame de Covid-19. Em nenhuma das unidades havia vaga disponível.


De acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a busca por diagnósticos nas últimas semanas superou a média do início de dezembro, como o g1 mostrou. Com o aumento de testagem, subiu também a taxa de resultados positivos em todo o país.


Em 1º de dezembro, dentre os mais de 9 mil testes feitos, 524 deram positivo. No último dia 29, foram quase 26 mil exames com 5.334 positivos.


Internações dobram em SP



A média diária de novas internações por suspeita ou confirmação de Covid-19 em enfermaria e UTI dobrou em 23 dias no estado de São Paulo. Diante do apagão nos dados de casos confirmados da doença, o indicador de internações é uma das principais estatísticas para o acompanhamento da pandemia no estado.



Nesta terça-feira (4), foram 566 novas internações, contra 283 em 13 de dezembro de 2021. Embora seja menor do que os dos piores momentos da pandemia, o número já é semelhante ao verificado em setembro de 2021. A média de internações considera o número de novas admissões em leitos de enfermaria ou de UTI de pacientes com confirmação ou suspeita de Covid-19.


Mesmo com o apagão das estatísticas de casos e mortes nas últimas semanas, outros indicadores apontam que a contaminação pelo coronavírus voltou a aumentar no estado. Internações, filas em postos de saúde e hospitais e testes positivos de Covid em farmácias cresceram.


Desde que o Ministério da Saúde afirmou ter sofrido um ataque hacker em dezembro, estados enfrentaram dificuldades para extrair as informações sobre a doença dos sistemas oficiais.


Na terça-feira (4), o governo de São Paulo afirmou que a extração começou a ser normalizada. No entanto, especialistas afirmam que as informações represadas durante o período de instabilidade ainda não foram divulgadas completamente. Para eles, os governos ainda estão em um "voo cego" no acompanhamento dos dados de Covid-19.


Nesta quarta, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, admitiu que os dados ainda não estão completos, e que parte dos casos que ocorreram durante o apagão ainda não foi contabilizada. Mesmo com o aumento nas internações, a gestão estadual descarta a adoção de novas medidas restritivas para conter o avanço da variante ômicron e da gripe.


Já o coordenador-executivo do Comitê Científico do governo de São Paulo declarou que o apagão de dados ocorreu porque o estado confiou no sistema do Ministério da Saúde.


"Essa questão do apagão talvez seja a manifestação mais evidente do processo de desconstrução do sistema único de saúde que a gente está enfrentando. O estado confiou no Ministério da Saúde. Todos os casos confirmados são encaminhados diretamente dos municípios para o ministério, disse.

Para ele, a permanência do apagão equivale à sensação de estar "conduzindo um Boeing sem GPS e radar". O médico avaliou ainda a possibilidade de que o estado criasse seu próprio sistema de notificação, para contornar as falhas do Ministério da Saúde. Esta solução já foi adotada por outros estados.


"Talvez a solução para isso seria criar um sistema próprio do estado de São Paulo, em que os municípios encaminham para o próprio estado", completou.



(Fonte G1)

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