Existe um problema que pouca gente percebe quando olha para o centro da cidade. Muitos acreditam que o comércio está perdendo força apenas por causa da internet, mas, na verdade, esse é apenas um dos fatores. O Brasil está entre os países com maior presença digital do mundo, com 168 milhões de usuários de internet e cerca de 144 milhões de usuários de redes sociais. Nesse cenário, o comércio online mudou completamente a forma como as pessoas compram. Quem depende exclusivamente da loja física passou a disputar um consumidor que pesquisa preços, compara ofertas e recebe os produtos em casa.
Só que existe outro fator que quase ninguém comenta. Grande parte dos imóveis comerciais do centro está concentrada nas mãos de um número reduzido de proprietários, o que mantém os aluguéis em patamares muito elevados. Soma-se a isso um dos IPTUs mais altos da cidade. A Planta Genérica de Valores considera boa parte da região central como área de elevado valor imobiliário, aumentando os custos fixos dos comerciantes.
Como se isso não bastasse, encontrar mão de obra também ficou mais difícil. Empresas precisam buscar trabalhadores em cidades da Região Metropolitana de Jundiaí e até em municípios das regiões de São Paulo e Campinas. Salários, transporte e demais custos acabam sendo incorporados ao preço final dos produtos. No fim das contas, o consumidor encontra preços menores na internet ou em estabelecimentos localizados fora dessa área central.
Outro fenômeno importante é o crescimento do setor da saúde. Clínicas, laboratórios, farmácias e consultórios disputam os mesmos imóveis mais bem localizados. Como esse segmento costuma ter maior capacidade financeira, consegue absorver aluguéis mais elevados, tornando ainda mais difícil a permanência do varejo tradicional nesses espaços.
Os estudos econômicos realizados entre 2023 e 2024 já apontavam essa transformação. O setor da saúde tornou-se o maior gerador de empregos e concentra o maior número de estabelecimentos na região central. Apesar disso, o centro ainda abriga excelentes lojas, especialmente no segmento de vestuário, que oferecem preços competitivos e mostram que é possível reverter esse cenário. Diante desse quadro econômico e social complexo, o comércio varejista precisa se reinventar, investir em inovação, fortalecer sua presença digital e oferecer experiências que o consumidor não encontra apenas clicando em um botão.
Fonte: @wagner.soares3



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