Pesquisadores identificam superbactéria de prioridade crítica em ostras vendidas no Brasil


Um estudo realizado por pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo revelou a presença inédita da bactéria *Citrobacter telavivensis* em ostras frescas comercializadas em São Paulo e Santa Catarina. O microrganismo é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de prioridade crítica devido à sua alta resistência a antibióticos. O dado mais alarmante é que nenhuma das amostras contaminadas havia sido reprovada nos testes tradicionais de inspeção sanitária vigentes no país, evidenciando uma brecha na fiscalização de alimentos.

A contaminação das ostras ocorre porque esses moluscos funcionam como filtros naturais da água e acabam retendo poluentes, resíduos de medicamentos e bactérias presentes no mar. Nas análises, além da superbactéria, os cientistas encontraram outras cepas resistentes a remédios de última geração e níveis de arsênio acima do permitido pela Anvisa. Esse cenário de poluição ambiental cria uma espécie de estufa que acelera a evolução dos microrganismos, um problema agravado pelo fato de que os sistemas de controle industrial da carne e do pescado inspecionam apenas a quantidade de bactérias, ignorando se elas são resistentes ou não aos tratamentos médicos.

A presença de superbactérias na cadeia alimentar acende um alerta para a saúde pública global, uma vez que estimativas da OMS apontam que a resistência a antibióticos pode matar até 39 milhões de pessoas por ano até 2050 se nada for feito. Especialistas apontam que o Brasil precisa atualizar urgentemente seus protocolos de vigilância sanitária para incluir o pescado no monitoramento e investir em pesquisas de alternativas biológicas para combater esses focos de contaminação. Além do grave risco à saúde da população, a falta de controle rigoroso pode provocar barreiras comerciais e prejudicar as exportações do setor pesqueiro brasileiro para mercados exigentes como a União Europeia e os Estados Unidos.

Fonte: G1

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