Prematuros terão acesso à proteção contra VSR o ano inteiro; planos não poderão mais restringir cobertura


A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou uma nova resolução que garante aos bebês prematuros dependentes de planos de saúde o acesso ininterrupto, durante o ano todo, ao nirsevimabe. O medicamento consiste em um anticorpo pronto que atua na prevenção de formas graves da infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A mudança regulatória elimina a antiga restrição de sazonalidade que limitava a cobertura obrigatória apenas aos meses de pico epidemiológico, deixando desprotegidos os recém-nascidos fora dessa janela. Na avaliação de especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a medida remove uma barreira assistencial crítica e facilita a organização hospitalar, permitindo o planejamento da aplicação ainda nas maternidades.

O VSR é o principal agente causador da bronquiolite, uma inflamação que atinge as pequenas vias aéreas pulmonares e gera grande preocupação na pediatria devido ao alto índice de internações de lactentes. Embora se manifeste de forma semelhante a um resfriado comum em adultos, a infecção em bebês pode acarretar acúmulo de secreções, chiado no peito, dificuldade respiratória e queda severa na oxigenação. O grupo dos prematuros é historicamente o mais vulnerável a essas complicações devido à imaturidade do sistema imunológico e ao menor desenvolvimento das estruturas pulmonares, o que eleva drasticamente o risco de internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e óbitos.

O nirsevimabe funciona de maneira distinta das vacinas tradicionais, pois fornece uma proteção imediata ao introduzir anticorpos prontos capazes de neutralizar a ação viral no organismo, reduzindo de forma expressiva o agravamento da doença. Além da extensão do prazo de cobertura para o ano inteiro, o sistema de saúde suplementar diferencia-se do Programa Nacional de Imunizações (PNI) ao ampliar o atendimento para crianças de até 12 meses de idade, enquanto a rede pública restringe o anticorpo aos 6 meses de vida. Diante do cenário de circulação contínua do vírus, médicos alertam os pais para que fiquem atentos a sintomas de alerta como respiração acelerada, esforço físico ao respirar, afundamento das costelas, recusa alimentar e sonolência excessiva.

Fonte: G1

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