Uma menina de quatro anos sobreviveu a choques anafiláticos após ser picada por um filhote de cobra-coral verdadeira em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, quando seu irmão confundiu o réptil com uma minhoca e o colocou sobre as pernas da irmã. O acidente doméstico ocorreu após o menino recolher o animal do quintal, onde gatos brincavam com ele, resultando na picada no calcanhar da garota, que provavelmente se assustou. Diante do ocorrido, os pais agiram com rapidez, capturando a serpente em um pote e levando a filha imediatamente ao pronto-atendimento, de onde ela foi transferida de ambulância para o hospital, onde o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do estado confirmou a espécie altamente venenosa.
Durante o tratamento hospitalar, a paciente enfrentou reações alérgicas severas e sistêmicas ao receber o antídoto, sofrendo três crises que comprometeram seu sistema respiratório e circulatório, sendo estabilizada com o uso de adrenalina e antialérgicos na ala vermelha da unidade. Especialistas explicam que o choque anafilático representa a manifestação alérgica mais grave e potencialmente fatal, podendo apresentar características bifásicas ou prolongadas, nas quais os sintomas retornam ou demandam controle complexo mesmo após a melhora inicial. A gravidade do quadro foi intensificada pela potência do veneno da espécie, que se espalha de forma acelerada devido ao baixo peso molecular de suas toxinas.
Biologistas e herpetólogos ressaltam que as cobras-corais verdadeiras integram a família *Elapidae* e possuem uma das peçonhas mais letais do país, caracterizada por uma potente ação neurotóxica que ataca diretamente o sistema nervoso central. Diferente de outras serpentes que atacam por meio de botes, os acidentes com essa espécie costumam acontecer apenas quando o animal é manuseado ou ferido, gerando riscos de paralisia rápida e parada cardiorrespiratória que superam a velocidade de agravamento de incidentes com jararacas. Graças à intervenção médica imediata e ao suporte intensivo recebido, a criança recebeu alta após três dias de internação e completou sua recuperação total em casa ao longo de uma semana.
Fonte: G1

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