O Rio Tietê voltou a apresentar uma densa camada de espuma branca na região de Salto (SP) nesta quarta-feira, um fenômeno visualmente impactante que reflete o estado crítico de poluição do manancial. A formação da espuma é provocada pelo despejo irregular de detergentes e resíduos industriais e domésticos vindos da Grande São Paulo, que, ao passarem pelas corredeiras e quedas d’água da cidade, acabam agitados mecanicamente. Este cenário, recorrente na história local, evidencia a fragilidade do sistema de tratamento de efluentes da região metropolitana e a dependência de medidas externas para a mitigação do problema ambiental.
A gravidade do episódio atual está diretamente associada ao período de seca que atinge o interior paulista, com a ausência de precipitações significativas desde o último domingo. Segundo especialistas do Cemaden, a baixa vazão do rio impede a diluição adequada dos poluentes, elevando a concentração de fósforo e outros agentes químicos na água. A prefeitura de Salto reforçou que o monitoramento é constante e que participa de programas estaduais para a recuperação do rio, mas destacou que o fim do problema depende exclusivamente do fim do despejo de resíduos não tratados nos municípios situados a montante.
O contraste no comportamento do Rio Tietê em Salto é notável quando comparado ao início do ano, quando o problema era o excesso de água e não a concentração de resíduos químicos. Em fevereiro, o rio chegou a registrar uma vazão de 520 metros cúbicos por segundo devido às chuvas torrenciais na capital e região metropolitana, um volume muito superior à média histórica. Naquela ocasião, a força das águas vindas de São Paulo causou cheias, demonstrando que, independentemente da estação ou do fenômeno apresentado — seja a espuma na seca ou a inundação no verão —, a saúde hídrica e a segurança da bacia em Salto permanecem vulneráveis às condições ambientais e ao manejo de resíduos da Grande São Paulo.
Fonte: G1

.jpeg)
.png)
0 Comentários