Jovem com dengue morre após consulta com falsos profissionais e polícia descobre que pai do acusado também atuava ilegalmente em SP


A Polícia Civil de São Paulo revelou, durante uma coletiva sobre a Operação Hipócrates II, detalhes sobre a atuação de dois homens que exerciam ilegalmente a medicina no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste da capital. Os investigados, Marcos Phelipe de Barros — que utilizava documentos falsos de um médico regular — e Maike César Silva, atualmente foragido no Chile, são apontados como responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos e nove óbitos decorrentes de negligência em um período de dois anos. Entre as vítimas está uma fisioterapeuta com dengue que sofreu uma parada cardíaca e morreu porque os suspeitos não souberam realizar manobras básicas de reanimação, além de uma paciente com problemas cardíacos que faleceu após aguardar oito horas por um exame essencial.

As investigações, iniciadas em dezembro de 2023 após denúncias de irregularidades, apontam que Marcos Phelipe também realizava atendimentos em pediatria e por telemedicina, enquanto Maike atuava no Samu de Taboão da Serra. A polícia também apura a omissão da direção do hospital, visto que os falsos profissionais recebiam salários inferiores aos dos médicos graduados e a gestão já havia sido alertada sobre as irregularidades no ano anterior. Diante dos fatos, a Justiça determinou o afastamento imediato da gestora e do diretor clínico da unidade hospitalar por não verificarem as credenciais e o currículo dos contratados.

Em nota, a defesa dos acusados contestou a operação, classificando-a como midiática e injusta, e alegou que Marcos é biomédico e Maike é instrumentador cirúrgico, sustentando que ambos possuíam autorização para atuar no ambiente hospitalar. Por outro lado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) declarou que o exercício ilegal da profissão é um caso de polícia e ressaltou que aciona os órgãos competentes sempre que identifica fraudes. A autarquia reforçou ainda a importância de que empresas e pacientes utilizem a ferramenta "Guia Médico" em seu site oficial para checar a regularidade dos profissionais de saúde.

Fonte: G1

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