Impacto fiscal: Correios encerram 2025 com perdas de R$ 8,5 bilhões e enfrentam maior sequência de déficits desde 2022


Os Correios divulgaram nesta quinta-feira (23) um balanço financeiro alarmante referente ao ano de 2025, revelando um déficit de R$ 8,5 bilhões. O resultado negativo, que triplicou em relação aos R$ 2,6 bilhões de 2024, foi impulsionado principalmente por despesas de R$ 6,4 bilhões com precatórios — dívidas judiciais sem possibilidade de recurso. De acordo com a estatal, a receita bruta também sofreu uma queda de 11,35%, totalizando R$ 17,3 bilhões, retração explicada majoritariamente pelo recuo de 66% nas encomendas internacionais após mudanças nas regras de tributação de importações.

Para conter a crise de liquidez e cobrir gastos emergenciais, a empresa firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de grandes bancos no fim do ano passado, contando com a garantia do Tesouro Nacional. Adicionalmente, o Conselho Monetário Nacional autorizou a captação de outros R$ 8 bilhões para o segundo semestre de 2026. A gestão atual atribui parte do passivo a dívidas herdadas de administrações anteriores e mantém reservas bilionárias para possíveis perdas em ações trabalhistas, evidenciando um cenário de fragilidade institucional e financeira.

Como medida de reestruturação, os Correios apostam em um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que já contou com a adesão de mais de 3 mil funcionários apenas no início deste ano. A expectativa da diretoria, liderada por Emmanoel Rondon, é que o enxugamento do quadro de pessoal gere uma economia de R$ 775,7 milhões em 2026. Apesar dos esforços de austeridade, a estatal completa o 14º trimestre consecutivo no vermelho, enfrentando o desafio de reverter um ciclo vicioso de perdas de clientes e altos custos operacionais.

Fonte: G1

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